segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Versos para anteontem


Portas que se batem
Palavras sem canção
Sorrisos que se perdem
Metades na contra mão
Como por no papel o que se sente?
Se o que se sente já são ondas sem razão
Como aceitar um sentimento impertinente
Se o seu corpo já está em outras mãos
Sob custódia da razão
Mantenho a carência e o desejo
Sei que não me pertence esta canção
Só a tristeza de saber que me perdestes
Portas que se batem
Palavras sem canção
Sorrisos que se perdem
Metades na contra mão
Foi o tempo que se foi e  me feriu no meio do peito,
No meio da sala, no quarto de luz apagada,
em seu ventre ciumento e inseguro
Quero guardar o momento que botei teus olhos nos meus
Quero encontrar em que ponto foi que deixei escapar o seu olhar do meu
Entrar pra dentro de mim e mudar os fios de lugar,
redesenhar o tempo
Pra onde foi sua poesia que me fazia tão bem?
seus olhos brilhantes que se secaram,
as palavras proferidas como agulhas em
horas enganadas e duvidando de mim
Portas que se batem
Palavras sem canção
Sorrisos que se perdem
Metades na contra mão
Chaves que se perdem
Musica sem refrão
Corpos que se batem
Sou só a metade desta canção
Das canções que eu fiz suplicantes por atenção ficou a minha tristeza,  a sua incerteza, 
tornou do tempo a letargia fatal

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