quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Vida na gangorra


Assim como andar de gangorra, a vida não foi feita para se estar a sós.
As vezes estamos em cima, com os pés fora do chão.
Em outras sentado bem perto da terra.
Não importa em qual das posições, sempre estamos olhando para a outra ponta, para os outros olhos.

Enquanto um alavanca para subir o parceiro espera o momento do frio na barriga de chegar ao topo e 
logo alavanca para que a outra ponta suba e gere a mesma euforia.

Porém o mais importante de se andar de gangorra é o momento aonde as pontas passam uma pela outra, a hora em que ambos tem os pés no chão e os olhos nos olhos.

O momento em que os corpos são cúmplices, aonde no silencio dos olhares e sorrisos ansiosos e temerosos se estabelecem as regras e a velocidade que a gangorra vai balançar. 



segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Versos para anteontem


Portas que se batem
Palavras sem canção
Sorrisos que se perdem
Metades na contra mão
Como por no papel o que se sente?
Se o que se sente já são ondas sem razão
Como aceitar um sentimento impertinente
Se o seu corpo já está em outras mãos
Sob custódia da razão
Mantenho a carência e o desejo
Sei que não me pertence esta canção
Só a tristeza de saber que me perdestes
Portas que se batem
Palavras sem canção
Sorrisos que se perdem
Metades na contra mão
Foi o tempo que se foi e  me feriu no meio do peito,
No meio da sala, no quarto de luz apagada,
em seu ventre ciumento e inseguro
Quero guardar o momento que botei teus olhos nos meus
Quero encontrar em que ponto foi que deixei escapar o seu olhar do meu
Entrar pra dentro de mim e mudar os fios de lugar,
redesenhar o tempo
Pra onde foi sua poesia que me fazia tão bem?
seus olhos brilhantes que se secaram,
as palavras proferidas como agulhas em
horas enganadas e duvidando de mim
Portas que se batem
Palavras sem canção
Sorrisos que se perdem
Metades na contra mão
Chaves que se perdem
Musica sem refrão
Corpos que se batem
Sou só a metade desta canção
Das canções que eu fiz suplicantes por atenção ficou a minha tristeza,  a sua incerteza, 
tornou do tempo a letargia fatal

domingo, 4 de setembro de 2016

Amarela florida Margarida

De todas formas de amor
Me permites sentir todas

Sofre em silêncio
Enquanto eu finjo não ver
Que me lês
Que me tem
Que detém o ímpeto de mãe
De me prender forte eu teu eu

Me deixa ir aonde for
Me guia a vida como uma flor
Amarela, margarida florida de sol.