quinta-feira, 18 de agosto de 2011

As faixas do amor

Para quem não sabe, eu sou praticante de Taekwondo e estou me preparando para fazer exame de faixa preta no final do ano. Durante um dos treinos desta semana, um colega meu fez um comentário que me fez refletir. Durante um exercício, o qual eu estava tendo dificuldades, ele disse: "Não adianta, cada um vai ser bom em algumas coisas e em outras não."

No dia seguinte parei para pensar. Quando começamos a treinar uma arte marcial temos o impeto de querer ser bom em todos os quesitos. No começo até conseguimos, pois a matéria é menor e somos mais novos, cheios de energia. Conforme vamos avançando nas faixas e vamos amadurecendo nossas técnicas e mentes, nos damos conta que é muito difícil ser pleno em todos os aspectos. Por muitas vezes o corpo não acompanha a mente e aspectos internos e externos dificultam o treino. O que não impede que sigamos em frente com o aprendizado.

Conforme amadurecemos, aprendemos a tirar o máximo do que temos a oferecer, aprendemos a driblar as dificuldade e encontramos recursos para dar tudo que temos.

Assim também é na vida de quem não pratica uma arte marcial. Quando somos novos, e começamos a nos relacionar, queremos sempre ser o melhor em todos os aspectos. Novamente conseguimos, a paixão permite que sejamos os melhores. Conforme o tempo se vai, e entramos na faixa do amor, já não damos mais conta de tudo. Nas primeiras vezes, assim como nas lutas, bater contra essa barreira é muito frustrante e doloroso.

Como já disse antes, com o passar dos anos nos conhecemos melhor e encontramos recursos para tirar o máximo do que temos. Isso não nos torna completos, mas nos dá a confiança de que podemos amar com tudo o que temos. Mesmo assim, uma vez que outra, ainda irão aparecer aqueles que não acham isso suficiente.

Quando isso acontecer, só nos resta sermos pacientes e esperar para que eles pratiquem e passem para a próxima faixa.


3 comentários:

Matheus disse...

Hm, interessante e profundo, tenho um ponto de vista bem diferente...
Acredito que o que acontece nesse processo é justamente o contrário... Acredito que deixamos de nos conhecer, que deixamos de gostar tanto da vida em comparação ao que éramos antes e assim deixamos de acreditar que podemos realizar o que quisermos nela.

Acredito que a vida é uma peça tão cheia de detalhes mas que no fim possívelmente a gente descubra que ela é muito mais simples do que parece. Assim como aquilo que desejamos e sonhamos. Meu coração me faz acreditar que tudo isso seja aprte da vida, mas que eu apenas perdi o condicionamento e controle sobre a realização das coisas que mais desejo.

Mas como um grande amigo falou, esse assunto é muito delicado de se conversar por se tratar da percepção que cada um tem sobre a propria vida.

Rafael Ilhescas disse...

O fato de se dar conta disso te faz graduado. As percepções são diferentes, mas todas são em prol do crescimento, de nos tornarmos melhores a cada dia.

O fato de no final ser tudo mais simples, mostra o quanto conhecemos do mundo e de nos perante ele.

Stella Maris disse...

...concordo contigo Rafinha(!) e, à medida que nos damos conta disto (de que não podemos ser o melhor, ou bom em tudo) vamos aprendendo a aceitar nossas limitações, a "tirar proveito" daquilo que fazemos melhor e aprendendo a reconhecer o que "nosso caminhãozinho" pode carregar. É um processo de reflexão, autoconhecimento e amadurecimento que levam a uma serena felicidade! Acrescento ainda que não só passamos a nos compreender melhor como a aceitar que os outros nos amem, ou não, ou parcialmente, por aquilo que somos!
Beijo com carinho, Stella
PS: li o outro texto do super herói na banheira e adorei!